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11 de março de 2023 · 6 min

Seja a mudança que você deseja ver no mundo

Sobre teoria do caos, pequenas atitudes e o efeito de agir hoje pelas transformações que queremos ver amanhã.

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Seja a mudança que você deseja ver no mundo

A Teoria do Caos determina que mínimas mudanças no início de um evento podem gerar profundas alterações no futuro. Como o simples bater das asas de uma borboleta em Paris, que pode resultar em um terrível furacão no Texas.

A citação que dá nome a este artigo é de autoria de Mahatma Gandhi, que além de ser um personagem ímpar na história, liderando de forma silenciosa e bem-sucedida a resistência não violenta na luta da Índia contra o Raj Britânico, foi advogado, filósofo e especialista em ética política. Nessa citação, Gandhi nos força a reconhecer nossa responsabilidade enquanto pessoas que pedem por uma transformação positiva no mundo, e vai além, inspira protagonismo.

Não fazemos por mal, mas a falta de protagonismo é inerente ao ser humano. Não fomos feitos para sair da zona de conforto, mas sim para ficarmos seguros nela. Além disso, existem sempre muitas outras coisas que precisamos dar conta, muitas responsabilidades e expectativas… e entendo que ainda existe um peso quanto à insignificância das nossas ações. Afinal, o que podemos fazer para salvar o mundo?

Gandalf: Estou procurando alguém para participar de uma aventura que estou organizando, e está muito difícil achar alguém. / Bilbo: Nós somos gente simples e acomodada. E não gostamos de aventuras. São desagradáveis e desconfortáveis. Fazem com que você se atrase para o jantar.

E lá no fundo, ninguém gostaria de se atrasar para o jantar. A maior parte das vezes esperamos que as mudanças aconteçam sozinhas ou que alguém as provoque. Nos limitamos a fazer a revolução pelas redes sociais e esperamos que alguém resolva o problema do lixo, da violência, da poluição. Mudanças climáticas e fim da guerra? Deixamos para o pessoal da ONU.

É preciso encararmos o fato de que essas mudanças não vão acontecer sozinhas. Precisamos assumir a responsabilidade, mesmo com pequenas ações. Um feedback bem estruturado pode impulsionar colegas. Executar o próprio trabalho com carinho mostra que disciplina leva à prosperidade. Reciclar ensina cuidado com o meio ambiente. Tratar filhos com paciência ensina que relações demandam esforço. Voluntariado nutre empatia e respeito na comunidade.

As nossas atitudes e valores são exemplos para quem está ao nosso redor e têm o potencial de encorajá-las a fazer o mesmo. Ter consciência disso faz a gente pensar duas vezes antes de qualquer atitude que possa influenciar os outros a repetir um comportamento negativo.

Gandalf: Você vai ter uma história ou duas para contar quando voltar. / Bilbo: Você pode me prometer que eu vou voltar? / Gandalf: Não. E se voltar, você não será o mesmo.

Uma aventura não é uma experiência confortável. Tudo o que desafia o status quo demanda energia, esforço e coragem. Malala não estava em segurança quando enfrentou os talibãs locais. Dalai Lama, exilado da China, defende o bem-estar dos tibetanos há décadas.

Existem inúmeras formas de sermos ativistas daquilo que acreditamos: ensinar uma profissão a jovens em comunidades, levar arte, dança, música e esporte a quem não tem acesso, cuidar e fazer companhia a pessoas idosas, apoiar futuros pais por adoção, resgatar e acolher animais abandonados. Não é preciso ser a Malala nem colocar a vida em risco para provocar mudanças — o que precisamos são de pequenas-grandes ações, vindas de pessoas que realmente se importam.

Então a dica final é: encontre uma causa pela qual você se importe e faça um planejamento para contribuir. Não precisa ocupar horas do seu dia. Encontre luz nessa atividade. A sensação de fazer parte de algo maior do que nós mesmos é maravilhosa. Qualquer mudança que nos propomos a influenciar no mundo causa, antes de tudo, uma transformação radical em nós mesmos.

Recomendação de leitura

  • Minha vida e minhas experiências com a verdade — Mahatma Gandhi, 2021
  • A arte da felicidade — Dalai Lama e Howard C. Cutler, 2000
  • O caminho do meio: fé baseada na razão — Dalai Lama, 2011
  • Eu sou Malala — Malala Yousafzai e Christina Lamb, 2013
  • O Hobbit — J.R.R. Tolkien, 1937