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28 de agosto de 2025 · 6 min

Se você quiser voar, precisa soltar o que te puxa para baixo

Toni Morrison como referência para o título — sobre soltar o que nos limita para alcançar novos voos.

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Se você quiser voar, precisa soltar o que te puxa para baixo

Toni Morrison, autora e referência para o título desse artigo (no original "You wanna fly, you got to give up the shit that weighs you down." em Song of Solomon) é uma escritora e professora estadunidense, negra, nascida em 1931. Ela recebeu o Nobel de Literatura em 1993 e o Prêmio Pulitzer de melhor ficção em 1997. Suas obras relatam as experiências de mulheres negras nos Estados Unidos durante os séculos XIX e XX, além disso, produziu diversas peças, ensaios, obras de literatura infantil e um libreto de ópera. Sem dúvida, uma mulher que superou incontáveis obstáculos para conquistar espaço e receber o devido reconhecimento.

É claro que escrevo este artigo na posição de uma mulher branca que desconhece todas as adversidades que uma mulher negra enfrenta nesse mundo, mas entendo o significado do que ela quis dizer com essa afirmação e percebo que muitas pessoas têm a mesma dificuldade: a de superar aquilo que atrasa, bloqueia e impede de focar nos objetivos e em como conquistá-los.

Dada a proximidade que tive com a comunidade de UX nos últimos anos, lidando com pessoas em diferentes níveis de senioridade, de diversas regiões do país, com objetivos e personalidades diferentes e em momentos diferentes da carreira, pude perceber alguns traços em comum que podem nos ajudar a entender a origem dessa dificuldade. O maior deles, na minha visão, está relacionado ao medo de se expor. O que pode acontecer o tempo inteiro, como: quando precisamos fazer escolhas, quando queremos tentar algo novo ou diferente, quando propomos soluções, questionamos, apresentamos um projeto, ou até mesmo defendendo um ponto de vista.

Medo de dar as caras.

E por que isso acontece? Brené Brown, professora da Universidade de Houston, há anos realiza pesquisas para entender comportamentos que levam à vergonha e ao sentimento de vulnerabilidade. Em A coragem de ser imperfeito ela diz: "É preciso coragem para ser imperfeito. Aceitar e abraçar as nossas fraquezas e amá-las. E deixar de lado a imagem da pessoa que deveríamos ser, para aceitar a pessoa que realmente somos."

Quando as pessoas sentem um medo excessivo da exposição e do fracasso, é um prejuízo enorme para qualquer empresa ou iniciativa que lide com inovação. Uma solução incrível que habita apenas uma mente solitária, sem ser colocada em prática ou ao menos avaliada, não vale nada. Precisamos entender que o fracasso faz parte da jornada do sucesso.

O meu preferido, penso nele sempre que erro uma, duas ou duzentas vezes, é Thomas Edison, que precisou de 25 mil tentativas para conseguir construir uma lâmpada. Ele diz: "Eu aprendi muito mais com os meus erros do que com meus acertos." e "Eu não fracassei. Apenas descobri 25 mil maneiras que não funcionam."

Walt Disney já foi demitido, acusado de preguiçoso, de ser uma pessoa sem imaginação ou criatividade, teve que declarar falência da sua empresa aos 22 anos, além de ter tentado emplacar diversas obras ao longo da sua carreira que não tiveram sucesso algum. No entanto, hoje a companhia dispensa apresentações. A história de sucesso da Disney, na verdade, é uma história de muitos fracassos.

Imaginem como seria a nossa realidade se Malala, Michelle Obama, Ruth Bader Ginsburg, Grace Hopper, Jane Austen, Amelia Earhart, Virginia Woolf ou Ada Lovelace tivessem medo de errar, de colocar suas ideias em prática ou se tivessem desistido porque fracassaram algumas vezes?

Para a comunidade, os profissionais que já atingiram certa maturidade, lembre-se que muitas pessoas ainda estão em um processo para superar o medo da exposição e vulnerabilidade, e que provavelmente você já passou por essa fase também. Por isso, um apelo: Sejam agentes encorajadores! O mundo já está cheio de críticos.

Quando ver uma pessoa tentando colocar seus projetos em prática, não seja aquela pessoa que fica sentada, só analisando e falando sobre como você teria feito melhor. Ofereça seu talento e pergunte como pode contribuir de forma positiva. Eleve as pessoas. A gratidão que recebemos em retorno é uma das sensações mais deliciosas do mundo.

E para você que precisa sentir mais segurança, algumas dicas:

  1. Nunca pare de estudar. Pesquise muito sobre o assunto que está trabalhando, reúna referências e dados. É o conhecimento que vai trazer a confiança que você precisa.
  2. Se a sua insegurança vem de ainda não ter decidido qual caminho seguir, analise pessoas e trabalhos que você admira, identifique padrões. Lembre-se de Nietzsche: "Demore o tempo que for para decidir o que você quer da vida, e depois que decidir não recue ante nenhum pretexto, porque o mundo tentará te dissuadir."
  3. Identifique seus bloqueios. Desprenda-se da ilusão de controle. Elimine hábitos e sentimentos que te causam medo ou tiram seu foco. Vigie seus pensamentos. Coloque tudo de ruim em uma caixinha e solte. Permita-se alçar voo.

Quando você tem uma ideia e decide colocá-la em prática, você inspira pessoas, e mesmo que no final você perceba que ela não foi a melhor ideia do mundo, você tem a experiência para tentar novamente por outros caminhos.

Por mais coragem para aceitarmos nossas vulnerabilidades, para colocarmos projetos em prática e criarmos soluções cada vez mais transformadoras. Be brave.

Recomendação de leitura

  • A coragem de ser imperfeito — Brené Brown, 2016
  • Mais forte do que nunca — Brené Brown, 2016
  • Eu achava que só acontecia comigo — Brené Brown, 2019
  • A Arte da Imperfeição — Brené Brown, 2020
  • Walt Disney: história de fracasso e sucesso — Editora Mundo dos Curiosos, 2019
  • Inspirado — Marty Cagan, 2020
  • O Design da sua vida — Dave Evans e Bill Burnett, 2017